João Mineiro e Marciano    

Furacão

Furacão

João Mineiro e Marciano

Já cansei de ser tapete, já cansei de ser capacho
Cansei de andar apanhando, já cansei de andar por baixo
Cansei de ser bananeira, que morre pra dar o cacho
Cansei de ser passarinho vou virar, gavião penacho

Nasci no grito do escravo, no estalo do chicote
Já cansei de ser madeira e agora virei serrote
Cansei de ser boi de carro, leva canga no cangote
Agora já virei cobra e não vou, errar o bote

O osso que eu roía já virou filé minhão
Já fui tropa de rodeio agora virei peão
Fui boiada muito tempo agora virei ferrão
Já cansei de ser carneiro agora, virei leão

Carneiro vive cem anos todo mundo tendo dó
Eu prefiro ser leão e viver um ano só
Quero ser um galo índio que briga e rola no pó
Galo índio briga e manda pra panela, o carijó

Meu cavalo é um pé de vento quando corre é um furacão
Meu arreio cutiano fiz do couro de um dragão
O cabresto e o par de rédeas são três cobras do sertão
Meu chicote é um cascavel e o veneno, está na mão


João Mineiro e Marciano

Furacão

João Mineiro e Marciano

Furacão

Já cansei de ser tapete, já cansei de ser capacho
Cansei de andar apanhando, já cansei de andar por baixo
Cansei de ser bananeira, que morre pra dar o cacho
Cansei de ser passarinho vou virar, gavião penacho

Nasci no grito do escravo, no estalo do chicote
Já cansei de ser madeira e agora virei serrote
Cansei de ser boi de carro, leva canga no cangote
Agora já virei cobra e não vou, errar o bote

O osso que eu roía já virou filé minhão
Já fui tropa de rodeio agora virei peão
Fui boiada muito tempo agora virei ferrão
Já cansei de ser carneiro agora, virei leão

Carneiro vive cem anos todo mundo tendo dó
Eu prefiro ser leão e viver um ano só
Quero ser um galo índio que briga e rola no pó
Galo índio briga e manda pra panela, o carijó

Meu cavalo é um pé de vento quando corre é um furacão
Meu arreio cutiano fiz do couro de um dragão
O cabresto e o par de rédeas são três cobras do sertão
Meu chicote é um cascavel e o veneno, está na mão